Para o diretor de narrativa Marcin Blacha, uma boa decisão em The Witcher 3 precisa fazer o jogador parar, refletir e até deixar o controle de lado antes de escolher.
The Witcher 3: Wild Hunt ficou conhecido não apenas pelo tamanho de seu mundo aberto, mas também pela maneira como apresenta suas histórias e decisões. Muitas das missões do RPG colocam o jogador diante de situações sem uma resposta claramente correta, obrigando-o a considerar as consequências antes de seguir em frente.
Para Marcin Blacha, diretor de narrativa de The Witcher 3, esse é justamente um dos principais elementos que fazem uma escolha funcionar.
Em uma conversa recente, Blacha explicou que uma decisão realmente importante não pode ser construída para que o jogador simplesmente escolha uma das opções sem pensar. A dúvida precisa fazer parte da experiência.
Uma escolha precisa fazer o jogador pensar
Segundo Blacha, o primeiro requisito de uma boa escolha é justamente não apresentar uma alternativa óbvia.
Se uma das opções parece claramente melhor do que a outra, o jogador pode simplesmente avançar pelo diálogo e selecionar aquilo que considera correto. Para o diretor, isso diminui o impacto da decisão.
Uma escolha relevante precisa criar equilíbrio entre as possibilidades. As duas alternativas devem apresentar algum peso e fazer com que o jogador considere aquilo que está prestes a fazer.
Mas não basta apenas criar duas opções diferentes.
A decisão também precisa ter consequências emocionais e estar relacionada aos personagens, aos problemas apresentados pela história ou até a questões mais amplas sobre a vida e o comportamento humano.
O momento em que o jogador larga o controle
Blacha utilizou uma imagem bastante específica para explicar o que considera uma grande escolha em The Witcher 3.
Para ele, uma decisão ideal deve ser construída de maneira que o jogador coloque o controle de lado, levante da cadeira e comece a caminhar enquanto pensa sobre qual caminho seguir.
Depois de refletir sobre a situação, o jogador retorna ao jogo e finalmente escolhe uma das opções.
Essa pausa, portanto, seria um dos maiores sinais de que a narrativa conseguiu atingir seu objetivo.
A ideia ajuda a explicar por que algumas decisões de The Witcher 3 continuam sendo lembradas anos depois do lançamento. O jogo não trata suas escolhas apenas como mecanismos para alterar diálogos ou determinar pequenas mudanças na história.
Em determinados momentos, o jogador precisa lidar com problemas que não possuem uma solução perfeita.

The Witcher 3 aposta em escolhas sem respostas fáceis
A filosofia também está relacionada à forma como a CD Projekt construiu as histórias do RPG.
Muitas missões apresentam situações nas quais ajudar um personagem pode prejudicar outro. Em outros casos, uma decisão aparentemente correta pode gerar consequências inesperadas posteriormente.
Isso faz com que o jogador não tenha todas as informações necessárias no momento da escolha.
O resultado é uma narrativa na qual as decisões são influenciadas não apenas pelo desejo de conseguir o melhor resultado, mas também pela interpretação que cada jogador faz dos personagens e das circunstâncias apresentadas.
Para Blacha, esse envolvimento é fundamental.
Uma boa escolha precisa fazer o jogador pensar sobre os problemas enfrentados pelos personagens, mas também deve transmitir alguma ideia sobre quem somos, como o mundo funciona ou como determinadas situações da vida podem ser difíceis.
Songs of the Past também terá decisões difíceis
A mesma abordagem deverá aparecer em Songs of the Past, próximo conteúdo relacionado ao universo de The Witcher 3.
Questionado sobre a presença de escolhas difíceis na nova aventura, Blacha indicou que os jogadores podem esperar novamente situações desconfortáveis e decisões capazes de gerar arrependimento.
O diretor deixou claro que a equipe não pretende evitar momentos em que o jogador se sinta desconfortável com aquilo que precisa decidir.
Isso significa que algumas escolhas poderão fazer o jogador questionar sua própria decisão depois de conhecer as consequências.
Em determinados momentos, inclusive, será possível chegar ao ponto de querer carregar um save anterior para tentar escolher uma alternativa diferente.
Essa possibilidade reforça uma característica que ajudou a definir a narrativa de The Witcher 3: nem sempre existe uma resposta perfeita.
O peso das decisões continua sendo uma marca de The Witcher
A abordagem de Marcin Blacha ajuda a explicar por que as decisões narrativas continuam sendo uma parte tão importante da identidade de The Witcher 3.
Mais do que oferecer caminhos diferentes, o objetivo é criar situações capazes de permanecer na cabeça do jogador mesmo depois que ele abandona o jogo por alguns minutos.
Quando uma missão consegue fazer o jogador parar, refletir sobre seus personagens e questionar qual decisão deveria tomar, a escolha deixa de ser apenas uma mecânica de RPG e passa a fazer parte da experiência narrativa.
É justamente esse tipo de situação que a equipe pretende levar para Songs of the Past, mantendo a tradição de apresentar decisões complicadas e consequências capazes de gerar arrependimento.
Para os fãs de The Witcher 3, isso significa que o próximo conteúdo não deve simplesmente repetir escolhas já conhecidas. A proposta continua sendo colocar o jogador diante de problemas nos quais decidir pode ser tão difícil quanto lidar com o resultado.
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Fonte: PC Gamer
