Diretor de Resident Evil 2 quer opção para diminuir o horror
O criador de Resident Evil 2, Hideki Kamiya, voltou a falar sobre uma questão curiosa envolvendo a franquia de terror da Capcom: para ele, os desenvolvedores podem ter se acostumado tanto com o conteúdo assustador dos jogos que perderam a percepção de quanto suas próprias produções conseguem aterrorizar os jogadores.
Em uma entrevista recente, Kamiya afirmou que gostaria de ver um modo opcional para reduzir o nível de horror nos futuros jogos da série.
A ideia não seria transformar Resident Evil em um jogo sem terror, mas oferecer uma alternativa para jogadores que gostam da franquia, porém têm dificuldade para lidar com cenas muito assustadoras.
Kamiya admite que não conseguiu terminar Resident Evil Requiem
Apesar de ter dirigido o Resident Evil 2 original, Kamiya revelou que não conseguiu jogar até o fim Resident Evil Requiem.
O interesse estava presente, principalmente porque o jogo leva Leon Kennedy de volta a Raccoon City e revisita acontecimentos relacionados ao passado do personagem.
Como responsável pela direção do Resident Evil 2 original, Kamiya queria descobrir como a nova produção trabalharia esse retorno.
O problema foi justamente o nível de terror.
Segundo o desenvolvedor, os gráficos cada vez mais realistas dos jogos modernos permitem representar criaturas, ambientes e situações muito mais perturbadoras do que era possível décadas atrás.
Desenvolvedores podem perder a percepção do medo
Na avaliação de Kamiya, a equipe responsável por Resident Evil passa tanto tempo trabalhando com monstros, sangue e situações de terror que pode acabar ficando menos sensível ao impacto dessas imagens.
Para quem desenvolve o jogo diariamente, determinados elementos podem parecer normais depois de meses ou anos de produção.
Para o jogador, entretanto, a experiência é completamente diferente.
Essa diferença de perspectiva seria uma das razões pelas quais Kamiya acredita que algumas opções de acessibilidade ou personalização poderiam ser interessantes para a franquia.
A proposta não é deixar Resident Evil menos assustador
Kamiya não defende que a Capcom diminua o terror como padrão.
A ideia seria oferecer uma alternativa para quem prefere uma experiência menos intensa.
O jogador que quiser vivenciar todo o horror continuaria podendo utilizar a configuração tradicional, enquanto aqueles que não gostam de sustos, sangue ou criaturas grotescas poderiam escolher uma opção específica para reduzir esses elementos.
Um modo com menos sangue e criaturas assustadoras
A sugestão do desenvolvedor é propositalmente simples.
Em vez de criar uma campanha completamente diferente, a Capcom poderia modificar determinados elementos visuais e ambientais.
Isso poderia incluir reduzir a quantidade de sangue, alterar a aparência de alguns inimigos ou deixar os ambientes menos sombrios.
Até mudanças aparentemente absurdas, como substituir rostos assustadores por algo mais engraçado, poderiam fazer diferença para jogadores que têm dificuldade com terror.
O objetivo seria preservar a jogabilidade enquanto diminui o impacto psicológico de determinadas cenas.

Kamiya cita Bayonetta como exemplo
Para explicar sua proposta, Kamiya relembrou decisões que tomou durante o desenvolvimento da série Bayonetta.
Embora Bayonetta seja conhecida por seu sistema de combate técnico e bastante exigente, o diretor queria permitir que diferentes públicos conseguissem aproveitar a experiência.
Por isso, a franquia recebeu opções que alteravam a dificuldade e a forma como determinadas características eram apresentadas.
Acessibilidade sem alterar a essência do jogo
Kamiya também mencionou recursos de Bayonetta 3 relacionados à exposição da protagonista.
O jogo oferece uma configuração que reduz determinadas representações visuais consideradas mais explícitas.
Para o desenvolvedor, Resident Evil poderia adotar uma filosofia semelhante.
Em vez de modificar a identidade da franquia, a Capcom poderia oferecer controles adicionais para que cada jogador escolha o nível de intensidade que deseja experimentar.
Resident Evil pode ganhar uma experiência mais acessível
A sugestão de Kamiya levanta uma discussão interessante sobre acessibilidade nos jogos de terror.
O gênero depende diretamente de emoções como medo, tensão e surpresa. Por isso, reduzir esses elementos pode parecer contraditório.
Por outro lado, permitir que mais pessoas experimentem a campanha sem alterar a experiência original poderia ampliar o público da franquia.
Um modo opcional não impediria os fãs de jogar Resident Evil da maneira tradicional.

Terror continuaria sendo parte da experiência principal
A principal diferença seria o controle oferecido ao jogador.
Quem procura uma experiência de horror completa poderia manter todas as características originais. Já jogadores que gostam dos personagens, história e combate, mas não conseguem lidar com determinados elementos de terror, teriam uma alternativa.
Essa abordagem poderia ser especialmente interessante em jogos futuros que utilizem gráficos cada vez mais realistas.
O avanço tecnológico tornou o terror mais intenso
A evolução gráfica também está no centro dos comentários de Kamiya.
Os primeiros jogos da série precisavam trabalhar com limitações técnicas que deixavam muitos elementos para a imaginação do jogador.
Hoje, modelos tridimensionais altamente detalhados, iluminação avançada, áudio espacial e animações mais realistas permitem que os desenvolvedores criem situações muito mais próximas de uma experiência cinematográfica.
Isso aumenta o impacto das criaturas e dos ambientes de terror.
Ao mesmo tempo, também aumenta a possibilidade de que determinados jogadores simplesmente não consigam aproveitar o jogo.
A ideia será adotada pela Capcom?
Até o momento, não existe confirmação de que a Capcom esteja desenvolvendo um modo de terror reduzido para Resident Evil.
A proposta parte de Hideki Kamiya e representa uma sugestão pessoal baseada em sua própria experiência como jogador.
Ainda assim, o comentário chama atenção justamente porque vem de alguém que participou diretamente da criação de um dos capítulos mais importantes da franquia.
A discussão pode ganhar ainda mais força conforme os jogos de terror continuarem utilizando tecnologias gráficas cada vez mais avançadas.

Uma ideia curiosa para o futuro de Resident Evil
A proposta de Hideki Kamiya dificilmente mudaria a identidade da série se fosse implementada como uma opção independente.
Um modo com menos sangue, iluminação mais amigável e criaturas visualmente menos perturbadoras poderia permitir que jogadores que evitam jogos de terror conhecessem histórias e personagens da franquia.
Ao mesmo tempo, os fãs de horror continuariam tendo acesso à experiência tradicional.
Para uma série que já possui décadas de história, oferecer mais possibilidades de personalização pode ser uma maneira interessante de alcançar novos públicos sem abandonar suas raízes.
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Fonte: VGC
